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ECLUSAS

 Eclusas são um conjunto de tanques para elevar ou baixar embarcações entre níveis diferentes. As de Tucuruí estão entre as maiores do mundo e são as maiores do Brasil, feitas em duas etapas, transpondo desníveis de 33 metros cada uma e permitindo a passagem de um comboio de quatro chatas por elevação ou descida.

TRANSPOSIÇÂO

 

Os tanques medem 33m de largura, por 210 de comprimento, com 44,5 m de altura. Eles têm capacidade para dar passagem a 40 milhões de toneladas de cargas por ano. Nas eclusas de Tucuruí, o calado regular para embarcações tipo barcaças, também chamadas ‘chatas’, é de 3,5 metros. Nas cheias pode haver passagem para navios maiores. O tempo de ultrapassagem dos comboios de jusante a montante ou vice e versa será de uma hora. Com a entrada na primeira eclusa, navegarão impulsionados por um rebocador pelos 5,5 km do canal intermediário e chegarão à segunda eclusa. O tempo de enchimento ou esvaziamento das câmaras será de 14 minutos. O canal permite comboios se deslocando em direções opostas A capacidade máxima será de 24 comboios nas duas direções por dia. São 16 eclusagens, ou 32 passagens de comboios, diariamente.

As obras das Eclusas de Tucuruí foram inauguradas no dia 30 de novembro de 2010.

 

ACESSE AQUI AS NORMAS DE TRÁFEGO NAS ECLUSAS DA HIDROVIA DO
TOCANTINS

No dia 01 de julho de 2011 foi liberado o tráfego normal de embarcações nas Eclusas de Tucuruí, algumas exigências foram deliberadas pela Capitania dos Portos da Amazônia Oriental, através da Diretoria de Portos e Costas, no entanto as eclusas estão aptas a operar. A partir de então, a Eletrobras Eletronorte será a responsável pela manutenção das condições de segurança, de maneira a garantir que as eclusas e seus equipamentos não constituam um perigo para a sua própria segurança, para a de terceiros e ao meio ambiente.

As eclusas de Tucuruí são as maiores do mundo em desnível. Cada uma vencerá  aproximadamente 35 metros de diferença de nível, com um canal de cerca de 5,5 km entre elas. A construção da barragem de Tucuruí deixou um desnível de 75 metros.

O sistema de transposição de Tucuruí inclui duas eclusas: uma a montante da barragem, e outra a jusante, de retorno à calha do Rio Tocantins. Entre elas, um canal intermediário, com5.580metrosde extensão e 32,5 metros de profundidade, permitirá a navegação de embarcações com calado máximo de 4,5 metros. As eclusas de Tucuruí têm capacidade paradar passagem a 40 milhões de toneladas de cargas por ano, a maior entre todas as eclusas existentes no mundo.

Histórico Em 1981, foram iniciadas as obras da eclusa 1.

 Até 1984, as obras tiveram andamento normal até a total paralisaçãoem1989. Em1997, foram elaboradosestudos técnicos de atualização do projeto básico. Em setembro de 1998, o ministério dos transportes assinou termo aditivo para a conclusão das obras civis, com a empresa Camargo Corrêa S. A., e as obras foram retomadas.

Em 1999, o ministério dos transportes assinou contrato com o consórcio Tenenge-Bardella, para o fornecimento e montagem dos equipamentos mecânicos e eletromecânicos. Entre 2002 e 2004, as obras voltaram a ficar paralisadas. Em julho de 2004 as obras foram retomadas e seguiram em ritmo intenso, sendo gradativamente desaceleradas até nova paralisação, em outubrode2005.

Em 2006 o Ministério dos Transportes, por meio do Dnit, delegou à Eletrobras Eletronorte a continuidade de execução das obras, que foram incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento– PAC, do governo federal. (Publicação Eletronorte)

 

“A conclusão de uma obra, especialmente dessa magnitude é para todo profissional uma satisfação emocionante, ao saber que os desafios foram vencidos, que o trabalho de equipe teve participação fundamental para êxito do empreendimento e que marca um momento histórico para o sistema hidroviário brasileiro. Essa obra representa uma alavanca importante para o desenvolvimento e avanço do agronegócio e o escoamento das riquezas minerais do Estado do Pará, capaz de reduzir em até 15% o custo do frete, proporcionando economia e competitividade, em igualdade de condições com os mercados internacionais. Gostaria de registrar que o êxito na conclusão desse empreendimento deve-se, principalmente, à equipe que, por muitas vezes, deixou o recanto de seus familiares para se dedicar, quase que integralmente, às atividades das quais são integrantes engenheiros, administradores, técnicos, trabalhadores de todos os níveis, que fizeram das eclusas de Tucuruí uma realidade nacional”. A declaração mostra o comprometimento e o sentimento de trabalho coletivo que cercam as reflexões do gerente das obras das eclusas de Tucuruí, José Biagioni de Menezes. Ele complementa relatando o papel da Eletrobras Eletronorte na operação do empreendimento e a necessidade de uma gestão equilibrada, pois o reservatório também está voltado para a geração de energia: “Essa é uma experiência a mais para a Empresa em função da característica das estruturas e finalidades de uma eclusa, seus equipamentos diferentes dos de uma usina e também a administração dos contratos por delegação. Faz-se necessária uma gestão equilibrada, pois o reservatório da Usina Hidrelétrica Tucuruí tem como finalidade a geração de energia elétrica e as eclusas estão anexadas aos mesmos recursos hídricos. Portanto, devemos nos ater aos compromissos da demanda de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional - SIN, primando pelo fornecimento de energia, mas não descartando o sistema de transposição, importante para o desenvolvimento do País”. As expectativas do engenheiro mecânico Edgar da Silva Cavalcante, em relação ao modal hidroviário, também são as melhores possíveis. “Acho que daqui a dez anos o transporte de agronegócio vai explodir, pois a hidrovia às margens do Tocantins vai chamar investimento. Pode ser favorável ao oeste da Bahia, Tocantins e Maranhão. Esse momento, simbolizado pela abertura da válvula de normalização do curso d’água do Rio Tocantins, impulsiona ao mesmo tempo o processo de melhoria do desenvolvimento de uma extensa cadeia de negócios produtivos que irão contribuir para a melhor qualidade de vida da população e de competitividade aos negócios da região e do Brasil. O modal de transporte hidroviário, além de atenuar diversos efeitos perversos ao homem e à economia, traz excelentes resultados físicos e financeiros com o transporte de grande massa de produtos da cadeia produtiva regional e nacional, com o melhor do binômio custo x benefício”. Histórico - A obra das eclusas de Tucuruí foi iniciada em 1981 e, decorridos quase 30 anos, houve contratempos como o acréscimo de novas condições ambientais, portarias e compromissos governamentais, a retomada de novos estudos técnicos que ficaram defasados com o decorrer dos anos e a aplicação dos recursos orçados. Em dezembro de 2006, o Ministério dos Transportes, por meio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – Dnit, delegou à Eletrobras Eletronorte a continuidade de execução das obras, que foram incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, com a meta de serem finalizadas em 2010. “A obra foi iniciada sob as regras da ditadura militar e, de lá para cá, o projeto teve momentos intermináveis de falta de recursos no orçamento público, suspensão das obras por denúncia de irregularidades que se arrastou por alguns anos, tendo várias invasões do canteiro de obras pelos integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens - MAB, novas adequações face às determinações ambientais, atrasos nas obras civis e eletromecânicas, pela desconfiança das empresas em mobilizar recursos e novas paralisações ocorrerem”, explica José Biagioni sobre os obstáculos encontrados durante o trabalho. No dia 25 de novembro de 2010, iniciaram-se as primeiras transposições oficiais das eclusas de Tucuruí. A transposição é o deslocamento das embarcações para diferentes níveis. Os primeiros testes foram feitos com um rebocador, mas a primeira carga transposta foi o muro-guia de montante, estrutura de 140 metros que colabora no alinhamento dos barcos antes da entrada na câmara da eclusa. “Há um desnível muito grande, de 69 metros, correspondente a um prédio de 33 andares, entre o reservatório da Usina e o Rio Tocantins. A primeira transposição consistiu em levar o muro-guia flutuante para montante”, explica o gerente da Coordenação da Obra das Eclusas de Tucuruí, Waldo Ferraz . No Brasil existem 16 eclusas, a maioria localizada no Sul e Sudeste do País. As eclusas de Tucuruí permitirão o tráfego de comboios com capacidade de carga de até 19.100 toneladas. No futuro, será possível a navegação desde a cidade de Barra do Garças (MT) até o porto fluvial-marítimo de Vila do Conde, próximo a Belém (PA), que se encontra localizado em local estratégico em relação aos mercados norteamericano, europeu e extremo oriente. O sistema de transposição inclui duas eclusas - a eclusa 1, a montante, incorporada à barragem da Hidrelétrica Tucuruí, e a eclusa 2, a jusante, de retorno à calha do Rio Tocantins-; e um canal intermediário com 5.580 metros de extensão e profundidade que permite a navegação de embarcações com calado máximo de 4,50 metros.As eclusas são dotadas de conjuntos eletromecânicos e hidráulicos, compreendendo portas, comportas, sistema de acionamento, sistema auxiliares de comando e controle. As eclusas de Tucuruí têm capacidade para dar passagem a 40 milhões de toneladas de cargas por ano, superando as cinco eclusas da Usina Três Gargantas, na China, que têm capacidade de 37, 6 milhões. A navegação de cabotagem, no Brasil, é feita com navios costeiros de até 40 mil toneladas. Nas eclusas de Tucuruí,o calado regular para embarcações tipo barcaças, também chamadas ‘chatas’, é de 3,5 metros. Nas cheias pode haver passagem para navios maiores. O tempo de ultrapassagem dos  comboios de jusante à montante ou vice-versa é de uma hora. Com a entrada na primeira eclusa, navegam impulsionados por um rebocador pelos 5,5 quilômetros do canal intermediário e chegam à segunda eclusa. O tempo de enchimento ou esvaziamento das câmaras é de 14 minutos. O canal permite comboios se deslocando em direções opostas. A capacidade máxima é de 24 comboios nas duas direções por dia. São 16 eclusagens, ou 32 passagens de comboios, diariamente. Mitigação de impactos - Para o diretor de Planejamento e da Eletrobras Eletronorte, Adhemar Palocci, encerra-se a fase dos grandes empreendimentos em Tucuruí. “Estamos devolvendo a navegabilidade do trecho do Tocantins onde foi construída a Usina. Já resolvemos os problemas socioambientais referentes ao empreendimento. Foi feito o remanejamento de moradores que viviam na área de influência direta da eclusa; implantação do plano de ocupação do entorno do lago da eclusa, para atividades de recuperação de áreas degradadas, paisagismo e recreação; compensação ambiental de R$ 3 milhões a serem aplicados em unidades de conservação; construção do bairro Nova Matinha, destinado à realocação dos atingidos da área urbana; e benfeitorias nas áreas rurais. O investimento para a construção do bairro Nova Matinha, somado às indenizações das famílias atingidas, ultrapassa R$ 24,4 milhões. Ainda será construída, com recursos da Eletrobras Eletronorte, uma escola com 20 salas de aula, com capacidade para 1.600 alunos,ginásio coberto e centro administrativo, ao custo aproximado de R$ 6 milhões”. Ainda em relação à mitigação dos impactos, a Eletrobras Eletronorte, em conjunto com a Prefeitura de Tucuruí, está viabilizando um projeto que prevê atividades voltadas à geração de trabalho e renda para 325 famílias de pescadores, contemplando ações de capacitação, assistência técnica e implantação da infraestrutura necessária à produção de peixes em tanques-rede, além do fornecimento de alevinos e ração para o desenvolvimento do primeiro ciclo de produção até 2011. Nessa ação estão previstos investimentos da ordem de R$ 6,1 milhões. Novos projetos - O Ministério dos Transportes está viabilizando os projetos, contratos e editais das obras da Hidrovia Araguaia-Tocantins. A expectativa é que até 2012 os empreendimentossejam concluídos. Na Hidrovia do Tocantins há as eclusas de Lajeado (TO) aguardando verbas para a sua retomada e as eclusas de Estreito(MA) cujo contrato será assinado em breve. Outra obra fundamental para a viabilização da Hidrovia, que está com o edital pronto, é derrocamento do Pedral do Lourenço, entre Marabáe o reservatório de Tucuruí, uma obra de R$ 520 milhões, onde será feita a implosão de 715mil metros cúbicos de rocha, numa extensão de 40 quilômetros. Será feito um canal de 70 metros de largura, acompanhando as curvas, com quatro metros de profundidade.Vão acontecer também obras de dragagem no Rio Tocantins, primeiro a montante de Tucuruíe, depois, de Tucuruí até Vila do Conde. Serão retirados 3,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos. Com a dragagem e derrocamento ficarão revitalizados 500 km de hidrovia. Ainda será construído um porto multimodal na região de Marabá, onde os transportes hidroviário, ferroviário e rodoviário vão se encontrar e cerca de R$ 700 milhões serão destinados à ampliação do porto de Vila do Conde. Para o diretor de Infraestrutura Aquaviária do Dnit, Herbert Drummond, as eclusas são uma das maiores obras de engenharia construídas nos últimos anos. “Destaco o marco do desenvolvimento regional. É um portal de entrada da hidrovia na matriz de transportes. Esse processo, que estava reprimido pela falta de navegabilidade do rio, passa a ser realidade. A hidrovia impulsiona a economia e vai promover seu desenvolvimento não apenas no Estado do Pará, mas de outras regiões, a partir do porto de Vila do Conde”. As eclusas de Tucuruí têm previsão de iniciarem o funcionamento em março de 2011. Inicialmente, a operação e manutenção serão feitas pela Eletrobras Eletronorte, por meio de uma parceria firmada com o Dnit, que é o responsável pela fiscalização dos serviços. Em relação ao uso das eclusas, Herbert Drummond explica: “Vamos montar um comitê para fazer um levantamento sobre os tipos de usuários e assim estabelecer uma regulamentação. Todos terão oportunidade de usá-las, de acordo com as normas que serão estabelecidas pela autoridade marítima. Haverá uma programação quanto aos dias e períodos de eclusagem”.Marco divisor - “Minha experiência nas obras das eclusas é bem interessante, uma vez que, em 1982, comecei como estagiário da Eletrobras Eletronorte atuando na área de gerenciamento e fiscalização do empreendimento. Estive presente na concretagem do primeiro bloco da câmara 1 das eclusas de Tucuruí. Depois me afastei da área de engenharia e reiniciei o trabalho, em 1997, na retomada das obras como engenheiro da Administração de Hidrovias da Amazônia Oriental, órgão que fiscalizava a obra para o Ministério dos Transportes. Agora estou na coordenação de manutenção e operação do Dnit”. Este é um breve relato de Flávio Acatauassú, que teve grande parte da sua trajetória de trabalho ligada às obras das eclusas, desde estagiário até hoje. Sobre a Hidrovia Araguaia-Tocantins, Acatauassú diz que “será um marco divisor de água entre a forma como o Brasil trata seu transporte de carga, via rodoviária, e com algo incipiente no transporte ferroviário, e como passará a acordar para os benefícios que uma hidrovia pode proporcionar para o desenvolvimento”. Flávio acredita que cargas reprimidas pela ausência da hidrovia vão migrar para o modal. “Por ano são escoadas 100 milhões de toneladas por ferrovia para o porto de Itaqui, no Maranhão. Além da carga regional conhecida, existe uma quantidade de cargas reprimidas que poderão migrar para a hidrovia. O comboio das eclusas equivale a mais de 700 carretas. Isto significa que estamos retirando essa quantidade de veículos das rodovias e, consequentemente, gerando economia de vidas humanas, revestimento asfáltico e diminuindo a emissão de gases do efeito estufa. Os benefícios indiretos de uma hidrovia são bem maiores do que outros tipos de transportes”, afirma. Sobre as perspectivas de funcionamento após a conclusão das obras da Hidrovia Araguaia Tocantins, Acatauassú explica: “Toda a carga composta por ferro-gusa, boi vivo, quartzo, madeira, carne frigorificada, material de construção e minério poderá ser transportada em duas mãos pela hidrovia, saindo do porto público de Marabá, que vai ficar pronto num prazo de dois anos, e descer até os centros consumidores. A mesma coisa deve acontecer com os manufaturados da Zona Franca de Manaus. Hoje 80% de seus produtos descarregam no porto de Belém ou de Vila do Conde e descem por rodovia aos centros consumidores. Esses produtos poderão descarregar mais próximos, em Marabá, futuramente em Imperatriz, depois em Estreito, ganhando escala de mercado. Quando temos uma hidrovia devemos pensar na interiorização da produção”. Última transposição - Ranufo Soares Lima, 74 anos, marinheiro regional, nasceu em Marabá. Com 15 anos sua família se mudou para Tucuruí e ele começou a trabalhar no Rio Tocantins pilotando canoa para um pescador. Naquela época a grande atividade econômica da cidade era a produção de castanhas e o marinheiro fez muito transporte do produto. No verão, quando ficava impossível de navegar um trecho do rio, escoava-se a produção por ferrovia e rodovia. “Comecei pilotando canoa e depois barco. Em 1958, assumi o comando do barco Evandro, transportando castanhas. Durante a cheia transportava castanha de Marabá a Tucuruí, e no verão de Tucuruí a Belém. Os barcos tinham capacidade de até 100 toneladas”, lembra Ranufo. Em 1979, com as obras de construção da Usina Hidrelétrica Tucuruí, foi interrompida a passagem de barcos na extensão da barragem. A produção passou a ser transportada da montante a jusante de caminhão. “Um dos últimos barcos que passaram antes da barragem foi o meu, o barco Leão do Mar, por volta de 1981. Na formação do lago passei a pilotar o ferry boat transportando gasolina para as bases de apoio de resgate dos animais. Depois disso passei a trabalhar na Secretaria da Fazenda, fazendo fiscalização no rio. Hoje estou em processo de aposentadoria”, relata Ranufo. Com muito vigor e dizendo não temer a velhice, o marinheiro regional que fez a última travessia antes da construção da Usina, diz que tem esperança de um dia fazer a eclusagem no seu próprio barco. Em tom de brincadeira, mas com uma voz firme declara: “Jogo na loteria há mais de 40 anos. Tenho esperança de um dia ganhar e fazer a travessia num barco meu”. Apesar de declarar amor à profissão de marinheiro, Ranufo afirma não sentir saudade daquele tempo: “Aproveitei muito a natureza. Até o ar naquela época era perfumado, havia muitas árvores, flores e não víamos desmatamento.Com o barramento muitas coisas boas foram embora, como algumas belezas da natureza, mas outras boas vieram como o desenvolvimento de Tucuruí. A cidade cresceu muito. Não há nada 100%. Temos que acompanhar os acontecimentos”. Normas de segurança - O tráfego nas eclusas deve atender à Norma da Autoridade Marítima de n° 02 da Diretoria de Portos e Costas que trata do estabelecimento das tripulações de segurança das embarcações, regularização de embarcações, transporte de cargas, entre outros. Os procedimentos a serem observados serão elaborados pela Administração das Eclusas e aprovados pela Marinha do Brasil, incluindo as Normas de Tráfego das Eclusas de Tucuruí, que será uma espécie de ‘Manual do Usuário’ para os navegantes que irão realizar a transposição. O manual será de porte obrigatório nas embarcações. Os procedimentos que serão adotados para a regulamentação das eclusas de Tucuruí serão recepcionados nas Normas e Procedimentos da Capitania dos Portos da Amazônia Oriental. Para se realizar a eclusagem são obrigatórias embarcações e equipamentos como as defensas que irão proteger a embarcação das muralhas da câmara da eclusa, cabos de amarração que irão servir para amarrar a embarcação nos cabeços flutuantes dentro da câmara e o equipamento rádio do tipo VHF marítimo, que irá auxiliar na comunicação entre o comandante e o operador da eclusa. O capitão dos Portos da Amazônia Oriental, José Roberto Bueno Junior (à esquerda), afirma que a operação de eclusagem não é complicada, porém requer do navegante cautela e atenção. “A Capitania dos Portos, visando a garantir a segurança no início das operações, irá realizar uma série de palestras educativas, tendo como tema a segurança da navegação em eclusas, para familiarizar os profissionais aquaviários e o pequeno navegante sobre alguns procedimentos específicos para a realização de eclusagens. Um ponto de grande relevância é que somente estarão autorizadas a eclusar as embarcações que estejam legalizadas junto à Autoridade Marítima e cujo condutor seja aquaviário, devidamente habilitado”. A missão da Capitania dos Portos é garantir a segurança da navegação, salvaguarda da vida humana e a prevenção da poluição hídrica. Para isso, realiza inspeções navais para verificação do pleno funcionamento dos equipamentos, como as portas das eclusas, sistema de circuito fechado de televisão, sistema de combate a incêndio, sinalização náutica e operação da eclusa. “O empreendimento pode ser considerado como politicamente correto, pois provoca o desenvolvimento econômico e social de uma região sem causar danos ambientais. As eclusas irão proporcionar uma grande redução na emissão de poluentes na atmosfera e um menor consumo de combustível, uma vez que permitirão o transporte de bens e pessoas, em especial de produtos de baixo valor agregado (minérios, grãos, entre outros), por embarcações, no lugar de centenas de caminhões. É importante ressaltar que, se for bem explorado, teremos também um incremento na atividade de turismo na região com navios de passeio fazendo a transposição. Quando as portas das eclusas de Tucuruí se abriram, tive a plena certeza de estarmos, de fato, abrindo as portas do progresso e do desenvolvimento de Tucuruí, do Pará e do Brasil”. Hidrovia Tietê-Paraná - O potencial hidroviário brasileiro compreende uma malha hidroviária de cerca de 63 mil km de extensão de águas superficiais flúvio-lacustres, 29 mil km de vias naturalmente disponíveis e 13 mil km de vias utilizadas economicamente. O sistema hidroviário Tietê-Paraná (foto acima) é um dos maiores do Brasil, com 2.400 km de vias navegáveis de Piracicaba e Conchas (ambos em São Paulo) até Goiás e Minas Gerais (ao norte) e Mato Grosso do Sul, Paraná e Paraguai (ao sul). “A Hidrovia Tietê-Paraná integra um grande sistema de transporte multimodal, apresentando-se como alternativa de corredor de exportação – abrangendo os estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, uma região de 76 milhões de hectares, onde é gerada quase a metade do produto interno brasileiro – conectando áreas de produção aos portos marítimos. Esse sistema hidroviário é administrado, no Rio Tietê, pelo Departamento Hidroviário da Secretaria dos Transportes do Estado de São Paulo, e, no Rio Paraná, pela Administração da Hidrovia do Paraná, vinculada ao Ministério dos Transportes”, explica o diretor da Hidrovia Tietê-Paraná, Frederico Bussinger. Entre as principais cargas transportadas naquela hidrovia estão a de grãos, farelos e óleos vegetais, cana-de-açúcar, açúcar e álcool, combustíveis, insumos agrícolas, madeira e celulose. As cargas têm como principais origens São Simão (GO), no Rio Paranaíba, Três Lagoas (MS) e terminais do Paraguai, no Rio Paraná. Como principais destinos os terminais de Presidente Epitácio e Panorama no Rio Paraná; e Anhembi, Pederneiras e Santa Maria da Serra nos rios Tietê e Piracicaba. Segundo Bussinger, “a hidrovia tem apresentado grandes taxas de crescimento anual, de 12,1% em média nos últimos dez anos, mais que triplicando sua movimentação neste período. Em 2009, a movimentação de cargas no sistema foi superior a cinco milhões de toneladas”. Para ele, o modal hidroviário é reconhecido mundialmente como meio de transporte eficiente e mais adequado do ponto de vista econômico, social e ambiental. “Entre as vantagens do transporte hidroviário em relação aos modais rodoviário e ferroviário estão a maior eficiência energética, capacidade de concentração de cargas, vida útil da infraestrutura e dos equipamentos e veículos. Em relação ao modal se registra as menores taxas de consumo de combustível, de emissão de poluentes, consumo de espaço, congestionamento de tráfego, número de acidentes, custo operacional, impacto ambiental e emissão de ruído”.

 

  

  

 

Inauguração: presidente Lula ressalta a melhor qualidade de vida após a conclusão da obra

 

O presidente Luís Inácio Lula da Silva inaugurou, no dia

30 de novembro de 2010, as eclusas de Tucuruí. Ele e sua

comitiva, formada pela presidente eleita, Dilma Rousseff, por

ministros, parlamentares, o presidente da Eletrobras, José Antonio

Muniz, e a diretoria da Eletrobras Eletronorte venceram

o desnível de 69 metros entre o Rio Tocantins e o lago de

Tucuruí, por meio da eclusagem. A travessia durou cerca de

uma hora.

Cerca de cinco mil pessoas esperavam a comitiva no bairro

de Nova Matinha. A cerimônia foi aberta pelo prefeito de Tucuruí,

Sancler Ferreira. “Hoje se vira a página do maior passivo

socioambiental da Usina Hidrelétrica Tucuruí, as obras

das eclusas que demoraram 29 anos até ficarem prontas.

Agradecemos ao Governo Federal por trazer de volta a navegabilidade

do Rio Tocantins”, afirmou o prefeito.

O representante dos trabalhadores das eclusas, o colaborador

da Eletrobras Eletronorte, Sebastião Ivo Lemos, agradeceu

o comprometimento e dedicação dos trabalhadores

para o resgate da navegabilidade do rio. “Estou feliz em vivenciar

esse momento histórico para a engenharia nacional

e para a logística de transporte, com a navegabilidade do Rio

Tocantins. A população da região vinha sonhando com o dia

em que o rio se tornaria navegável. A hidrovia vai possibilitar

oportunidade de negócios, emprego e renda. É a concretização

de um sonho de muitos. Esse momento representa o

fim de um ciclo”.

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, disse

que o projeto somente quando incluído no Programa de

Aceleração do Crescimento - PAC, em 2007, encontrou o

seu curso normal. “É uma alegria estarmos inaugurando as

eclusas de Tucuruí, um projeto de quase 30 anos que foi retomado

de maneira ininterrupta quando incluído no PAC. As

eclusas de Tucuruí estão entre as maiores obras de transposição

de rios que se possa destacar no planeta pelo volume

de escavações feitas, e que vai assegurar um potencial

de aproveitamento do Rio Tocantins em mais de 400 km.

É importante dizer que a obra foi realizada levando-se em

conta as compensações ambientais requeridas, com o

remanejamento de moradores, a implantação de planos

de ocupação no entorno do lago das eclusas, construção

de escolas e ginásios”.

Ainda sobre as eclusas e a ampliação do sistema hidroviário

brasileiro, afirma o Ministro: “A construção das

eclusas significa a afirmação de uma política de uma

matriz de transporte mais equilibrada, onde ganha cada

vez mais força o transporte ferroviário e o hidroviário, pois

eles são mais eficientes em termos ambientais, energéticos

e econômicos. A navegação dos principais rios serve

ao escoamento da produção agropecuária e mineral do

centro-norte brasileiro, e é prova de que pode perfeitamente

conviver com a geração de energia elétrica. Mas

o potencial das eclusas e do rio vai além. Na verdade,

estamos estruturando um novo corredor de transporte e a

articulação com a Ferrovia Norte-Sul, que vai permitir alternativas

mais econômicas para o fluxo de transporte de

minérios e produtos siderúrgicos, carvão mineral, produtos

oriundos de reflorestamento, celulose, grãos, petróleo,

combustível, entre outros”.

A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, declarou que

o estado tem uma nova rota de escoamento da produção e

de transporte. “As eclusas começam a viabilizar a Hidrovia

Araguaia-Tocantins. No primeiro momento vai ligar Marabá

ao porto de Vila do Conde por mais de 500 km. Num

segundo momento, vai ligar o porto de Belém à região do

Alto Araguaia, em Mato Grosso. Vamos escoar a nossa produção

de maneira mais barata. Os custos do transporte no

Pará vão ser reduzidos

em até 15%. Vamos garantir

a verticalização da

produção, para que seja

gerado emprego e renda

no Estado do Pará”.

A presidente eleita,

Dilma Rousseff, afirmou:

“Hoje é um momento

em que vemos

uma grande obra ser

finalizada. Todos ficamos

impressionados

quando a porta da eclusa

se abriu e se fechou.

É uma obra de engenharia

impressionante,

mas, por trás da obra,

o que tem são as vidas

e as oportunidades para

as pessoas. É isso que

importa. As eclusas de Tucuruí abrem para o Estado do

Pará, para a região Norte e Nordeste, uma oportunidade

de crescimento econômico, de geração de emprego e

renda. Essa foi uma obra de equipe, em que atuaram os

ministérios dos Transportes, de Minas e Energia, do Meio

Ambiente e das Cidades”.

O presidente Lula fez um balanço do seu governo e disse

que o Brasil vive um momento maravilhoso, inclusive,

citando os três grandes empreendimentos hidrelétricos

em construção na Amazônia - Belo Monte, Jirau e Santo

Antônio. Sobre as eclusas, destacou a importância do seu

papel social: “Essas eclusas que inauguramos hoje, que

é uma obra gigantesca, só

terão sentido se significarem

a melhoria da qualidade

de vida de mulheres

e homens desse País. Se

elas apenas beneficiarem

grandes grupos econômicos,

estaremos apenas

repetindo os erros históricos

do Brasil, onde quem

era rico ficava mais rico,

e quem era pobre, ficava

mais pobre”.

Durante a cerimônia foi

assinado ainda um termo

de cooperação entre a

Eletrobras e as Centrais

Elétricas do Pará - Celpa,

relativo ao financiamento

para a expansão do suprimento

energético da

Ilha de Marajó, um investimento de R$ 298 milhões. Foi

também assinado termo de compromisso entre a Eletrobras

Eletronorte e a Norte Energia S/A, responsável pela construção

do Aproveitamento Hidrelétrico Belo Monte, para a

contratação dos primeiros 39 engenheiros formados em engenharia

civil e elétrica pela Universidade Federal do Pará,

no campus avançado de Tucuruí. O Dnit, Eletrobras Eletronorte

e a Prefeitura de Tucuruí assinaram um protocolo

de intenções para a construção de obras de compensação

em beneficio das comunidades atingidas pelas obras das

eclusas, que beneficiarão os moradores dos bairros de Vila

Pioneira, Nova Matinha e Liberdade.

Fonte: Corrente Continua Eletrobrás Eletronorte

 

   

CÂMARA 1 E CÂMARA 2 VISTAS A PARTIR DO CANAL

  

APROXIMAÇÃO DA CÂMARA 1     /      EMBARCAÇÃO DENTRO DA CÂMARA 1

    

APROXIMAÇÃO DA  CÂMERA 2

 

EMBARCAÇÃO ENTRANDO NA CÂMERA 1

VISTA DO CANAL A PARTIR DA CÂMERA 1

  

CANAL DA ECLUSA  /  VERTEDOURO DO CANAL DA ECLUSA

  

RIO TOCANTINS  /  CÂMARA 1

  

CÂMERA 1

  

APROXIMAÇÃO DA CÂMERA 1  /  CANAL DA ECLUSA

CÂMERA 1 E UHE

 


Os rios Tocantins e Araguaia atravessam as regiões Centro-Oeste e Amazônica, banhando, em extensões superiores a 2.000 km, terras comprovadamente dotadas de imensas riquezas minerais e com vocação natural para a agropecuária. Se transformados em hidrovias de grande porte, poderão ser fatores determinantes da exploração em larga escala desses recursos, pela possibilidade de direcionar a produção regional do Brasil Central, desde Barra do Garças até o porto flúvio-marítimo de Vila do Conde, próximo a Belém, privilegiadamente localizado em relação aos mercados norte-americano, europeu e do Oriente Médio. Para que a produção dessa região apresente condições de competitividade com outras áreas mais próximas do litoral ou dos grandes centros, é fundamental a existência de uma via de transportes de baixo custo operacional, como a hidrovia pode oferecer.

Da análise das condições de navegabilidade dos dois rios, verifica-se que essa hidrovia é constituída de longos trechos naturalmente navegáveis para embarcações adequadamente dimensionadas, embora com restrições de profundidade em passagens localizadas, porém, perfeitamente suscetíveis de correção, através de melhoramentos diretos a serem implantados progressivamente, em função da demanda de tráfego.

A construção da barragem de Tucuruí, no rio Tocantins, a 250 km de sua foz, teve como finalidade primordial a geração de energia, através de uma usina hidrelétrica. Se por um lado a barragem afogou, com seu reservatório, as corredeiras de Itaboca, até então um dos principais empecilhos à implantação da navegação comercial no Tocantins, por outro, seccionou a hidrovia, exigindo a construção de uma obra de grande porte capaz de vencer o desnível de 72 m criado por ela. Dessa forma, o Aproveitamento de Tucuruí compreende, também, um Sistema de Transposição de Desnível, localizado na margem esquerda do rio Tocantins e constituído por duas eclusas e um canal intermediário, adequadamente alinhados, cujo objetivo precípuo é dar continuidade à navegação no trecho da hidrovia interrompido com a construção da Barragem.

A construção das Eclusas de Tucuruí é imprescindível ao aproveitamento econômico do grande potencial agropecuário, florestal e mineral já identificados no Vale do Tocantins-Araguaia, que depende da oferta de meios de transportes maciços, de baixo custo e baixo consumo energético, face ao pequeno valor unitário das cargas a serem geradas e às grandes distâncias a serem percorridas.

A obra possibilitará ainda, a geração de empregos para a população da própria bacia hidrográfica e de outras regiões, numa contribuição para o desenvolvimento do Centro-Oeste e Amazônia e para a desconcentração industrial do país, uma vez que será formado um corredor de exportação da produção regional com o aproveitamento do transporte hidroviário até um porto para embarcações marítimas.

 

Histórico

0 rio Tocantins, um dos formadores do estuário do Amazonas, tem suas cabeceiras nas imediações do Distrito Federal, na encosta norte do Planalto de Goiás, a uma altitude de 1.000 m. Seu curso desenvolve-se na direção predominante sul-norte, com extensão de 2.500 km até a foz, nas proximidades da cidade de Belém, capital do Estado do Pará, onde chega ao Oceano, com uma bacia de drenagem de 767.000 km2. Conta com inúmeros afluentes, dos quais se destaca, em virtude de sua extensão e volume d'água, o rio Araguaia.

0 primeiro reconhecimento dos recursos hídricos da bacia do rio Tocantins, incluindo o seu afluente Araguaia, foi feito pelo "Bureau of Reclamation" através da "Agency for International Development - United States Department of State" para a extinta CIVAT - Comissão Interestadual dos Vales do Araguaia e Tocantins, no ano de 1964.

Entre os anos de 1968 e 1972, o antigo DNPVN - Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis desenvolveu estudos do rio Tocantins, como parte do estudo geral das vias navegáveis interiores do Brasil.

Com a criação das Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. - ELETRONORTE, em 1973, foram continuados os estudos através do inventário dos aproveitamentos hidrelétricos da bacia do rio Tocantins e, dos estudos de viabilidade dos aproveitamentos hidrelétricos de São Felix, Santo Antônio e Tucuruí. Estes trabalhos incluíram estudos comparativos de alternativas, de divisão de queda e de arranjo das obras, com base em levantamentos aerofotogramétricos, hidrométricos e estudo das interferências com as cidades, estradas, parques florestais, recursos minerais e facilidades para a navegação.

Logo no início das obras de construção da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, que provocou um desnível entre montante e jusante de 72 m, a ELETRONORTE contratou os estudos de alternativas para a transposição desse desnível.

Entre 1979 e 1981 foi desenvolvido, pela então PORTOBRÁS, o Projeto Básico do Sistema de Transposição de Desnível de Tucuruí. Decidiu-se pela implantação de um sistema composto por duas eclusas, de maneira a se permitir a transposição do desnível em duas etapas de aproximadamente trinta e seis metros cada uma. A eclusa de montante (Eclusa 1) está localizada junto à Barragem de Terra da Margem Esquerda, enquanto a eclusa de jusante (Eclusa 2) localiza-se logo abaixo do porto da ELETRONORTE, próximo da cidade de Tucuruí. As duas eclusas são interligas por um canal navegável contido, na sua margem esquerda, pelo terreno natural e, na sua margem direita, por um dique de 5.500 m de extensão.

Em 1981, através de contrato com a empresa Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A., foram iniciadas as obras do Sistema de Transposição de Desnível pela Eclusa 1, obras essas consideradas como obrigatórias para permitir o enchimento do Reservatório.

Até 1984 as obras tiveram andamento normal e, a partir daí, o ritmo das mesmas foi diminuindo, até a total paralisação em 1989.

Recentemente, em 1997, foram elaborados Estudos Técnicos de Atualização do Projeto Básico, necessários à conclusão das Eclusas de Tucuruí. Essa Atualização foi necessária para se levar em conta, dentre outros aspectos, as modificações ocorridas ao longo do tempo, no tocante às condições de navegação da Hidrovia; aos avanços da tecnologia na elaboração de projetos e na execução de obras; às alterações da situação econômica do país, e a toda a realidade com que se depara o processo de desenvolvimento nacional.

Foram, também, estabelecidas as dimensões limites dos comboios que deverão frequentar o Sistema de Transposição, conferindo-lhe uma capacidade efetiva de carga que atenda às necessidades do desenvolvimento das atividades agrícola, pecuária, da indústria extrativa e as necessidades de abastecimento das populações da região.

Os investimentos na primeira fase do empreendimento foram da ordem de R$ 135 milhões, dos quais R$ 118,4 milhões, corresponderam às obras civis já executadas até 1989 e que incluiram cerca de 431.000 m3 de concreto massa, 1.800.000 m3 de escavação comum e 260.000 m3 de escavação em rocha.

Recentemente, em setembro de 1998, foi estabelecido o Termo Aditivo ao Contrato DT-TUC-100/81, para a conclusão das obras civis das Eclusas de Tucuruí, com a empresa Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A. As obras de escavação de terra, de escavação em rocha, e de estruturas de concreto encontram-se em p lena execução.


 

Descrição do Sistema de Transposição de Desnível

 


- Arranjo Geral das Estruturas

O arranjo geral das estruturas do Sistema de Transposição de Desnível de Tucuruí, detalhado nos desenhos do Projeto Básico, é o resultado de estudos técnicos e econômicos comparativos de numerosas alternativas de implantação de seus elementos integrantes, em que foram analisados diversos esquemas de construção, diversas variantes das estruturas de concreto e das obras de terra e diversos tipos de equipamentos hidromecânicos.

A alternativa desenvolvida no Projeto Básico apresenta um arranjo geral das estruturas com duas Eclusas e um Canal Intermediário, alinhados segundo um eixo de navegação, de modo a permitir cruzamentos e toda a sorte de manobras de embarcações nesse Canal, tornando, assim, possível a operação totalmente independente dessas Eclusas. Este conjunto, permite vencer o desnível no local e desenvolve-se na margem esquerda do rio Tocantins, iniciando, no Reservatório, com a Eclusa 1, incorporada à Barragem de Terra por Muros de Ligação de concreto e, terminando, com a Eclusa 2 e o canal de aproximação de jusante, no rio Tocantins, situado logo abaixo do atual porto.

As duas Eclusas têm, cada uma, 210,00 m de comprimento e 33,00 m de largura.

Operacionalmente, o calado máximo das embarcações é de 4,50 m. A lâmina d'água mínima absoluta é de 5,00 m na Eclusa 1 e Canal Intermediário, e de 3,50 m na Eclusa 2 e Canal de Jusante (nas condições mais críticas de níveis d'água).
Os níveis no Reservatório, operacionais para a navegação, variam entre as cotas 58,00 m e 74,00 m, podendo excepcionalmente atingir a cota 75,30 m. Na maior parte do tempo os níveis no Reservatório, que são os níveis de montante da Eclusa 1, situar-se-ão acima da cota 65,00 m.

O Canal Intermediário tem, em princípio, seu nível fixado e mantido constante na cota 38,00 m. Pequenas variações, da ordem de 0,50 m, em torno dessa cota poderão ocorrer em função da operação do Sistema - descargas da Eclusa 1 e alimentação da Eclusa 2. A cota 38,00 m é, portanto, o nível básico de jusante da Eclusa 1 e também o nível básico de montante da Eclusa 2.

A jusante da Eclusa 2, tem-se os níveis variáveis da calha do rio Tocantins, que, em função da operação do Aproveitamento Hidrelétrico, poderão situar-se entre as cotas 3,5 m e 24,1 m, cotas essas limites para a operação do Sistema de Transposição.

A Eclusa 1, localiza-se de tal forma que o eixo da Barragem de Terra do Aproveitamento Hidrelétrico passa pela sua Cabeça de Montante. Sendo a Eclusa 1 integrada à Barragem, a conexão entre ambas as obras é feita por convenientes Muros de Ligação. Já a Eclusa 2 situa-se em posição tal que, dois terços de sua estrutura estão encaixados em rocha.

O Canal Intermediário, tem extensão aproximada de 5.500 m, e é, basicamente, formado por um endicamento e algumas escavações esparsas.

O Dique principal situa-se à direita do eixo do Sistema, no caminhamento de montante para jusante. Outro Dique, de pequena extensão, fecha o Canal Intermediário a jusante, situando-se à esquerda do eixo, junto à Eclusa 2.

Aos elementos acima descritos somam-se obras, que se resumem em: Muro-Guia Flutuante, a ser instalado a montante da Eclusa 1, Muros-Guias a jusante da Eclusa 1 e a montante e a jusante da Eclusa 2 e Vertedouro para o Canal Intermediário.


 

Principais Estruturas  


- Eclusa 1

A Eclusa 1 tem estrutura de gravidade em concreto-massa e se conecta, pela Cabeça de Montante, ao eixo da Barragem de Terra da Margem Esquerda, através de quatro blocos de Muros de Ligação. Foi projetada para níveis operacionais do Reservatório entre as cotas 58,00 m e 74,00 m, considerando, ainda, níveis com maior frequência, acima da cota 65,00 m.

Nesta estrutura é previsto o acesso de embarcações por montante, através de porta do tipo busco, de duas folhas com 24,50 m de altura e 20,00 m de largura cada uma. O acesso por jusante é garantido por porta do tipo guilhotina, com 23,50 m de altura e 34,00 m de largura.

A Câmara tem comprimento útil de 210,00 m e largura de 33,00 m.

O Sistema Hidráulico de Enchimento da Eclusa 1 é formado por duas tomadas d'água localizadas na Cabeça de Montante, controladas por comportas do tipo setor-invertido. A distribuição de água dentro da Câmara é feita através de oito difusores, que serão utilizados, também, para o esvaziamento.

O Sistema Hidráulico de Esvaziamento é constituído por aquedutos e por um dissipador de energia por difusores, escoando as águas para o Canal Intermediário.

A Eclusa 1 dispõe de um Sistema de Alimentação Suplementar previsto para a manutenção dos níveis d'água no Canal Intermediário, dentro das condições de limites de nível d'água previstas.

O conjunto das estruturas da Eclusa 1 se completa, ainda, por um Muro-Guia Flutuante, a montante, e um Muro-Guia de Jusante, composto por estrutura de gravidade em concreto massa.

- Canal Intermediário

O Canal Intermediário, interligando a Eclusa 1 à Eclusa 2, tem 5,5 km de comprimento e largura mínima de 140,00 m em sua base à cota 32,50 m e, é contido lateralmente por um dique com cerca de 6 km de comprimento.

O Canal Intermediário tem o seu nível operacional na cota 38,00 m, com uma variação de 0,50 m, conforme as condições de operação do Sistema Hidrelétrico. Esse nível é também o nível básico de jusante da Eclusa 1 e de montante da Eclusa 2. O nível do Canal é mantido pelo Vertedouro e pelo Sistema de Alimentação Suplementar, embutido na Eclusa 1.

- Eclusa 2

A Eclusa 2, está localizada junto à margem esquerda do rio Tocantins, próximo à cidade de Tucuruí. Está posicionada de tal forma que dois terços de sua estrutura estão encaixados em rocha. Seu projeto considerou os níveis do rio Tocantins situados entre as cotas 3,50 m e 24,10 m, em função do regime de operação da Hidrelétrica.

Nesta estrutura está previsto o acesso de embarcações por montante, através de porta do tipo guilhotina com 7,50 m de altura e 20,00 m de largura. O acesso por jusante é garantido através de porta do tipo busco, de duas folhas com 41,00 m de altura e 20,00 m de largura cada uma.

As dimensões da Câmara são idênticas às da Eclusa 1.

O Sistema Hidráulico de Enchimento da Eclusa 2 é formado por uma tomada d'água tipo tulipa, encaixada na rocha do lado esquerdo da Cabeça de Montante, um sistema de controle por comportas do tipo setor-invertido e, um aqueduto em túnel escavado em rocha e revestido com concreto. A distribuição de água dentro da Câmara é feita através de oito difusores (idênticos aos da Eclusa 1), que serão utilizados, também, para o esvaziamento.

O Sistema Hidráulico de Esvaziamento é constituído por aquedutos em túnel escavado em rocha e revestido com concreto, um sistema de controle por comportas do tipo setor-invertido e, um dissipador de energia, escoando as águas diretamente para o rio Tocantins.

As estruturas da Eclusa 2 se completam com Muros-Guia situados a montante e a jusante, compostos por muros de gravidade de concreto massa e pelo Canal de Jusante, constituído de guia-corrente em terra e enrocamento, com a finalidade de proteger a entrada e saída dos comboios na Eclusa e desviar o fluxo do rio Tocantins.


FONTE: PUBLICAÇÕES ELETRONORTE E DENIT

 

AQUI ACESSE NORMAS DE TRAFEGO DO SITE CIDADE DE TUCURUI.COM.BR

 

 

VEJA AQUI O VÍDEO DAS ECLUSAS

 VÍDEO PRIMEIRA TRANSPOSIÇÃO

 

HISTÓRICO

 

DADOS TÉCNICOS

 

A CONSTRUÇÃO

 

 

 

 

     

                APOIO: ANTONIO ALBERTO Q. CASTRO (BETO)                                                                                                                                                                                   30/03/2012 21:52:24